Lama, fogo e óleo: as crises ambientais que assolaram o Brasil em 2019

Lama, fogo e óleo: as crises ambientais que assolaram o Brasil em 2019

THAÍS CHAVES

 29 DE DEZEMBRO DE 2019

Militantes da ONG ambiental Greenpeace protestam pelo combate ao óleo vazado no Nordeste em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Adriano Machado/Greenpeace)

MILITANTES DA ONG AMBIENTAL GREENPEACE PROTESTAM PELO COMBATE AO ÓLEO VAZADO NO NORDESTE EM FRENTE AO PALÁCIO DO PLANALTO, EM BRASÍLIA (FOTO: ADRIANO MACHADO/GREENPEACE)

O ano teve desastres em Brumadinho, na Amazônia e no Nordeste. Viu o descaso de Bolsonaro e Salles. Mas o mundo reagiu com Greta Thunberg

2019 não foi um ano fácil para o meio ambiente. Logo no primeiro mês do ano, em 25 de janeiro, houve o desastre socioambiental em Brumadinho (MG), além das consequências para o meio ambiente fez centenas de vítimas fatais. Já no segundo semestre, passaram a ser relatados casos de grandes incêndios na Amazônia e no Pantanal. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apenas em agosto foram mais de 30 mil focos de incêndio no maior bioma mundial.

Também não houve trégua para o litoral brasileiro. No final de setembro foi encontrado petróleo cru nas praias nordestinas. Até o fechamento desta retrospectiva, não havia sido identificada a origem do vazamento. O óleo, que surgiu no litoral paraibano, percorreu a costa brasileira e chegou ao mar fluminense.

O meio ambiente foi pauta global em 2019. Cresceu o movimento Fridays for Future (Sextas Pelo Futuro), liderado pela ativista sueca de 16 anos Greta Thunberg. Toda sexta-feira, estudantes de todo o globo realizaram greves em defesa do meio-ambiente. A ação ganhou repercussão e no dia 20 de setembro mais de 180 países realizaram a Greve Global Pelo Clima.

Saiba mais sobre o ano na área ambiental:

A tragédia se repete: Brumadinho

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BRUMADINHO ATINGIDA PELA LAMA (FOTO: AGÊNCIA BRASIL)

Em 2015, o Brasil já havia passado pela experiência do rompimento de uma barragem da mineradora Vale. Em Mariana (MG), foram 18 mortos e 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos espalhados. O desastre em Brumadinho, no entanto, superou a tragédia anterior. Até o fechamento desta retrospectiva, 253 pessoas foram encontradas mortas. 17 ainda estão desaparecidas. Isso tornou a tragédia a 2ª maior do mundo por desastre do gênero.

O rompimento da barragem liberou 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, tendo atingido o ecossistema da região. Mais de 130 quilômetros da Mata Atlântica foram devastados. A água do Rio Paraopeba, na região mineira, foi contaminada com ocorrência de metais pesados como chumbo e mercúrio e atingiu locais até 300 quilômetros de distância de Brumadinho. Por conta da avalanche de lama que o atingiu, ele se tornou um risco às comunidades ribeirinhas e aos animais que se utilizavam do rio. Com a morte de predadores naturais, a região se tornou endêmica para febre amarela e esquistossomose.

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COMO FICOU BRUMADINHO APÓS O DESASTRE (MAURO PIMENTEL/AFP)

O desmatamento do maior bioma mundial

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AS CONSEQUÊNCIA DAS QUEIMADAS NA AMAZÔNIA DURANTE O MÊS DE AGOSTO (FOTO: VINÍCIUS MENDONÇA/IBAMA)

Segundo o Inpe, até o mês de julho o desmatamento na Amazônia brasileira havia sido 278% maior do que o registrado no mesmo período em 2018. No entanto, o mês de agosto marcou a maior média de focos de incêndio nos últimos 21 anos. Produtores do agronegócio convocaram o “Dia do Fogo”, a ser realizado em 10 de agosto, com o objetivo de fazer derrubadas em massa que chamassem a atenção das autoridades.

Em um jornal de Novo Progresso (PA), que divulgou a ação antes de ocorrer, os produtores argumentaram que o avanço da produção ocorre sem o apoio do governo. “Precisamos mostrar para o presidente (Jair Bolsonaro) que queremos trabalhar e o único jeito é derrubando. Para formar e limpar nossas pastagens é com fogo”, defenderam. Alertas de urgência foram enviados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedindo reforço na fiscalização da região, mas o órgão só respondeu aos pedidos dois dias depois da data.

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No dia 10, a cidade de Novo Progresso teve 124 registros de focos de incêndio ativos, 300% a mais que no dia anterior. Durante os dias 6 e 8 de agosto, foram 154 incêndios em Altamira (PA). Três dias depois, foram 431 incêndios. O chamado dos produtores resultou em uma alta de 179%. No entanto, a cidade mais devastada foi São Félix do Xingu (PA), que registrou entre os dias 9 e 11, 329% de incêndios a mais do que nos três dias anteriores. No final daquele mês, o presidente Jair Bolsonaro defendeu que as queimadas na Amazônia são uma tradição da região.

Entre setembro e outubro, também foram registrados incêndios na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Em setembro, o fogo consumiu cerca de seis mil hectares. Em outubro, a região do Pantanal também sofreu. Os incêndios devastaram mais de 50 mil hectares. Foi o pior registro da região desde 2002. Em outubro de 2018, foram 120 incêndios na região, enquanto em outubro de 2019, foram 2427.

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O PANTANAL MATO-GROSSENSE APÓS AS QUEIMADAS (FOTO: MAYKE TOSCANO/SECOMMT)

O vazamento de óleo no Nordeste

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O MENINO ÉVERTON COBERTO DE ÓLEO APÓS AJUDAR A TIRAR O PETRÓLEO QUE CHEGOU ÀS ÁGUAS DE CABO DE SANTO AGOSTINHO (PE) (FOTO: LEO MALAFAIA/AFP)

Foram nas praias de Jacumã e Tambaba, em Conde (PB), que foram registradas em 30 de agosto as primeiras manchas do óleo que percorreram a costa brasileira nos últimos meses. Pescadores, surfistas e moradores das regiões atingidas se voluntariaram para retirar o petróleo que chegou às praias, muitas vezes sem a segurança devida. Após participarem dos mutirões de limpeza, eles relataram sentir náusea, dor de cabeça, falta de ar e ardência nos olhos. Isto porque há cuidados que devem ser tomados nesse trabalho, como a utilização de uniformes que protejam a pele e o armazenamento devido do óleo encontrado.

A limpeza das praias se iniciou a partir das equipes municipais, estaduais, do Ibama e da Marinha Brasileira. No entanto, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles só aplicou o plano previsto para situações como essa 43 dias após a chegada do óleo nas praias. O ministro também só visitou os locais atingidos 38 dias após a primeira ocorrência.

Até o fechamento desta retrospectiva, ainda não havia sido encontrada a origem do óleo. A priori, a Petrobras defendeu que o óleo tinha assinatura venezuelana, ou seja, que haviam traços do óleo que indicavam que ele só poderia ter sido produzido no país. Há a suspeita que o óleo tenha sido derramado por um “navio fantasma”, prática comum na Venezuela devido ao embargo estadunidense ao petróleo do país. Em novembro, a Polícia Federal passou a investigar cinco empresas gregas que controlam navios-petroleiros. Já em dezembro, surgiu a hipótese do Inpe de que o óleo teria vindo do mar africano. A incerteza para cravar um responsável ocorre porque o óleo se desloca abaixo da superfície marítima, tornando mais difícil a localização por satélite.

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AS MANCHAS DE ÓLEO QUE ATINGIRAM O LITORAL SERGIPANO (FOTO: MARCOS RODRIGUES/AFP)

O levante mundial pelo clima

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NA GREVE GLOBAL PELO CLIMA EM NOVA IORQUE, O MANIFESTANTE ESCREVEU UMA FRASE DO DISCURSO DA ATIVISTA GRETA THUNBERG: “NOSSA CASA [O PLANETA TERRA] ESTÁ PEGANDO FOGO” (FOTO: SCOTT HEINS/AFP)

O mundo nunca falou tanto sobre o meio ambiente. Isto porque, neste ano, os protestos convocados pela ativista ambiental Greta Thunberg ganharam o mundo. A sueca de 16 anos, que iniciou sua militância realizando greves todas as sextas-feiras em frente ao Parlamento de seu país, inspirou jovens de todo o mundo a fazer o mesmo. O movimento ganhou o nome de Fridays for Future (Sextas Pelo Futuro). Em setembro, foi convocada uma semana de greve global em defesa do clima, iniciada em dois grandes dias de protesto: as sextas-feiras dos dias 20 e 27. A estimativa é de que os protestos tenham ocorrido em 4500 cidades espalhadas por 180 países. No Brasil, mais de 50 cidades aderiram à greve.

O vínculo do governo com a mensagem espalhada pelos defensores da mudança climática é nula. Mais de uma vez neste ano o ministro Ricardo Salles e o presidente Jair Bolsonaro disseram ou escreveram deboches e ofensas a Greta e à luta climática.

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Dois eventos de grande impacto para a comunidade ambiental durante o ano foram a Assembleia Geral da ONU, no final de setembro, e a COP25 (Conferência do Clima da ONU), no início de dezembro. Em ambas as ocasiões, foram realizadas amplas mobilizações de ruas e a ativista Greta Thunberg discursou em ambos os eventos.

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UMA RODADA DO SEXTAS PELO FUTURO NA CIDADE DE MADRID, QUE RECEBEU A COP25 APÓS O CHILE ANUNCIAR QUE NÃO PODERIA MAIS RECEBER O EVENTO DEVIDO ÀS GREVES POLÍTICAS QUE TOMARAM O PAÍS (FOTO: REPRODUÇÃO INSTAGRAM GRETA THUNBERG)

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Sobre bbraga

Atuo como professor de química, em colégios e cursinhos pré-vestibulares. Ministro aulas de Processos Químicos Industrial, Química Ambiental, Corrosão, Química Geral, Matemática e Física. Escolaridade; Pós Graduação, FUNESP. Licenciatura Plena em Química, UMC. Técnico em Química, Liceu Brás Cubas. Cursos Extracurriculares; Curso Rotativo de química, SENAI. Operador de Processo Químico, SENAI. Curso de Proteção Radiológica, SENAI. Busco ministrar aulas dinâmicas e interativas com a utilização de Experimentos, Tecnologias de informação e Comunicação estreitando cada vez mais a relação do aluno com o cotidiano.

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